• Prof. Carlos Augusto Pereira dos Santos Possui Graduação em ESTUDOS SOCIAIS pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA (1990), Mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (2000) e Doutorado em História Do Norte e Nordeste do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2008). Atualmente é Professor da UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU - UVA. Leciona as disciplinas de Historiografia Brasileira e História do Brasil I e II. É tutor do Programa de Educação Tutorial - PET HISTÓRIA/UVA. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: militancia comunista, ditadura, cotidiano, cultura e trabalhadores urbanos. conheça o grupo de pesquisa Cidade, Trabalho e Poder. Clique Aqui
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Aos 80 anos de idade, morre Chico Anysio, um dos maiores nomes do humorismo no Brasil. O eterno Professor Raimundo criou mais de duzentos personagens e vai deixar saudades

Alice Melo
23/3/2012

  • Morreu nesta sexta o humorista Chico Anysio, aos 80 anos de idade, de uma parada respiratória, no Rio de Janeiro. Anysio foi um dos maiores nomes da comédia de entretenimento no Brasil: começou no rádio ainda na década de 1950 e percorreu a segunda metade do século inovando na televisão. Serviu de inspiração para muitos humoristas e atores da atualidade.
    Em entrevista à Globonews nesta tarde, por exemplo, Renato Aragão – um dos criadores dos Trapalhões, programa que muito bebeu no modelo de humor protagonizado por Chico Anysio no rádio e na TV - fala sobre a relação dos humoristas com o grande mestre: “Ele me ajudou muito quando vim do Nordeste para cá, mas não só isso, ele era uma espécie de pai para todo o humorista da nossa geração”.
    Pai dos humoristas
    O hilário Mussum (1941-1994), que integrava o elenco dos Trapalhões, contou em uma entrevistaCasseta e Planeta Urgente!) que foi Chico Anysio o responsável por sua entrada no mundo do humor. Indicado por Grande Otelo, Mussum foi chamado para trabalhar na Escolinha do Professor Raimundo, interpretando um sujeito que ia cada dia com uma camisa de futebol diferente. Na conversa, Mussum lembra que foi o mestre quem, inclusive, inventou sua marca registrada: "tranquilis!" para o extinto jornal “Casseta Popular” (dos mesmos criadores de
    “Eu era ritmista, porque eu nunca quis me meter a ator. Na verdade, eu tinha medo disso aí”, lembra ele. “Quando fui gravar na primeira vez, um português feio disse assim: ‘Agora é a sua vez, Mussum’. Tá legal. Me preparava rezando. Aí ele batia, ‘Vai lá, negão’. Pô, acabava tudo! Dava aquela porrada e eu esquecia tudo! Olhava pro Chico e o Chico, Professor Raimundo, olhando pra mim: ‘É’. Eu digo, ‘Sim senhor’. Ele: 'Como de fatis'. Porque o Chico passou para mim – o que eu devo muito a ele – o seguinte: ‘Você com sua maneira de falar, tem três coisas que são fundamentais pra você. É como de fatis, tranquilis e não tem problemis. Isso é seu ganha pão’. Me batizei com isso. São coisas que realmente falo”.
    Mais de 200 personagens
    Chico Anysio, em seus mais de cinquenta anos de carreira, criou cerca de duzentos personagens que levavam, por diferentes motivos, o espectador às gargalhadas: as piadas, muitas vezes baseadas em bordões, demarcavam bem os tipos sociais encarnados pelo comediante diante das câmeras, do microfone ou da plateia num palco de teatro. Ficaram célebres sob sua interpretação o vampiro Valdeniro Bento Carneiro, o craque Coalhada, o ex-museólogo Popó, ou o prefeito corrupto Walfrido Canavieira. Além de engraçado, ele era bom ator. A comédia soava natural quando interpretava tanto personagens fictícios, quanto ele próprio – como viés cômico de sua vida de retirante nordestino.
    “Eu nasci lá em Maranguape e o médico sabia que aquele era o dia de meu nascimento”, contava o jovem Chico de pé, diante do público, numa premiação da Rádio Roquete Pinto, em 1969, quando recebia a homenagem de Melhor Comediante. “Sabendo disso minha mãe foi levada correndo para a maternidade e foi colocada na mesa e eu só não nasci naquela hora porque aquela não era minha mãe, era a minha tia...”. Pausa para risadas. E a história continua: “Tia que tinha sido levada por engano e por ser solteirona até naquele momento se sentiu realizada...”.
    Não havia barreiras para o humor de Chico Anysio. Criativo e engraçado, ele fazia rir em qualquer situação. Em conversa com a Revista de História, o comediante Bruno Motta lembra de um causo que o mestre contou para ele certa vez: “Estávamos conversando e ele me falou de uma história que aconteceu com o Oscar Wilde... Um dia, uma senhora perguntou ‘Sr. Wilde, escrever é difícil?’, e ele respondeu ‘Minha senhora, escrever ou é fácil ou é impossível’! Quer dizer, pra quem sabe fazer isso - escrever ou fazer comédia - não é trabalho. A gente faz o que sabe fazer”. E comédia Chico Anysio sabia fazer. Muito.
     
    Na edição de abril da RHBN, um Especial sobre humor vai discutir tanto a forma de fazer piada na história do Brasil - com entrevista de Elias Saliba - quanto o humor na TV  e no rádio. A revista chega às bancas na primeira semana de abril.

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